Cientistas identificam novas espécies de cogumelos psilocibínicos na África

Cientistas identificam novas espécies de cogumelos psilocibínicos na África

Pesquisadores identificaram duas novas espécies de cogumelos do gênero Psilocybe na África Austral, ampliando o conhecimento sobre a diversidade de fungos psicoativos no continente. As espécies, chamadas Psilocybe ingeli e Psilocybe maluti, foram descritas após análises genéticas e morfológicas e publicadas na revista científica Mycologia.

Com essas descobertas, o número de espécies do gênero Psilocybe associadas ao continente africano chega a seis, incluindo espécies endêmicas e outras amplamente distribuídas em regiões tropicais.


Uso tradicional antecede reconhecimento científico

Um dos aspectos que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi o registro de uso tradicional da Psilocybe maluti no Reino do Lesoto. Segundo relatos etnográficos, curandeiros do povo Basotho utilizavam o cogumelo em rituais voltados à indução de estados de transe, muito antes de sua descrição formal pela ciência.

O caso reforça a importância do conhecimento tradicional na identificação e compreensão dos fungos psicoativos e levanta discussões sobre a valorização dessas práticas nos estudos científicos contemporâneos.


Quais são as espécies de Psilocyberegistradas na África

A taxonomia de fungos está em constante atualização. Atualmente, seis espécies do gênero Psilocybe são citadas na literatura científica em associação ao continente africano:

1. Psilocybe natalensis

Espécie endêmica da África do Sul, encontrada principalmente em pastagens e solos ricos em matéria orgânica. É geneticamente próxima da Psilocybe cubensis, mas reconhecida como uma espécie distinta.

2. Psilocybe ingeli

Espécie recentemente descrita, identificada na África Austral. Apresenta características morfológicas específicas e contribui para o entendimento da diversidade evolutiva do gênero.

3. Psilocybe maluti

Também recém-descrita, está associada a práticas tradicionais no Lesoto. Seu reconhecimento científico trouxe visibilidade a usos culturais anteriores.

4. Psilocybe cubensis

Espécie pantropical, presente em diversas regiões do mundo, incluindo áreas do continente africano. Sua distribuição está associada historicamente à expansão do gado.

5. Psilocybe mairei

Descrita originalmente no Norte da África, é pouco estudada e raramente mencionada em pesquisas recentes.

6. Psilocybe congolensis

Relatada em regiões da África Central, ainda carece de estudos genéticos conclusivos, e sua classificação segue em debate na literatura especializada.


África segue como fronteira pouco explorada da micologia

Especialistas apontam que a África permanece subexplorada no campo da micologia, o que sugere a possibilidade de novas espécies ainda não descritas. A identificação recente contou com a participação de micólogos independentes e cientistas cidadãos, que colaboraram na coleta de amostras e no envio de dados para análise laboratorial.

A descoberta amplia o entendimento sobre a biodiversidade fúngica global e reforça a necessidade de mais investimentos em pesquisa científica no continente africano.


Novas descobertas e próximos passos

A descrição de novas espécies do gênero Psilocybe ocorre em um momento de crescente interesse científico sobre a psilocibina, substância estudada em pesquisas sobre saúde mental e neurociência. Embora os estudos clínicos estejam concentrados em poucas espécies, a ampliação do conhecimento taxonômico é considerada essencial para futuras pesquisas.

As recentes descobertas indicam que a história dos cogumelos psilocibínicos na África ainda está longe de ser totalmente conhecida.

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